O relacionamento com a imprensa está mudando de escala. Em 2026, 52% das agências de comunicação e 42% dos times internos esperam ter menos jornalistas cobrindo suas indústrias do que tinham no ano anterior, segundo levantamento de mercado citado pela Tropico Comunicação e pelo MGA Blog. Não é uma projeção isolada — é a confirmação de um movimento que já vinha sendo sentido em cada tentativa de contato que não emplaca.
O problema não é a quantidade de pauta disponível. É que a mesma lista de trezentos contatos que funcionava em 2022 hoje bate à porta de redações menores, mais sobrecarregadas e mais seletivas. E quanto menor a redação, maior o custo de cada tentativa de contato malsucedida.
Menos jornalista por pauta, mais peso em cada contato
Quando a redação tinha dez repórteres cobrindo economia, um release fora do timing ou fora do interesse editorial era só mais um e-mail ignorado. Com dois ou três repórteres cobrindo a mesma área, cada abordagem errada consome uma fração relevante da atenção disponível — e pode custar o relacionamento com o único jornalista que ainda cobre aquele tema.
Parte da explicação para essa escassez está em outro dado, da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ): 43,4% dos jornalistas brasileiros já têm a assessoria de comunicação como atividade principal, não a redação. O profissional que cobria o seu setor há três anos pode estar, hoje, do outro lado da mesa — assessorando um concorrente. A “lista de imprensa” tradicional, pensada como uma via de mão única entre assessoria e redação, já não reflete esse mercado.
Assessorias que monitoram continuamente quem de fato publica sobre o setor do cliente — não quem “deveria” publicar — chegam à conversa já sabendo o ângulo, a frequência e o tipo de fonte que aquele profissional usa. É a diferença entre testar contato e acertar de primeira, num cenário em que testar contato errado tem custo mais alto do que tinha há três anos.
Esse cenário também muda o valor relativo de cada veículo. Um portal regional que cresceu de audiência nos últimos dois anos pode hoje valer mais, em termos de alcance real, do que um veículo nacional que perdeu redação — mas só quem monitora histórico de cobertura enxerga essa mudança a tempo de agir sobre ela.
Dado substitui tentativa no relacionamento com a imprensa
Essa escassez não elimina o relacionamento — o torna mais seletivo. Ferramentas de monitoramento de mídia mostram, com histórico, quais veículos e jornalistas de fato deram voz a temas do setor nos últimos meses. A Simpling, por exemplo, é usada por equipes de comunicação justamente para transformar esse histórico de cobertura em critério de priorização, em vez de intuição.
O resultado prático: menos e-mails disparados, mais taxa de resposta. Uma lista de cem contatos qualificados, atualizada com base em quem realmente publica, tende a gerar mais espontânea do que uma lista de mil contatos genéricos — e reduz o desgaste de insistir com quem já não cobre mais aquele tema.
Antes de disparar o próximo release, vale revisitar três perguntas: quem, dessa lista, publicou algo sobre o setor nos últimos seis meses? Quem migrou para assessoria e ainda está sendo tratado como jornalista ativo? E quais veículos cresceram em relevância digital sem que a lista tenha acompanhado essa mudança?
Redação menor não é sinônimo de porta fechada. É sinônimo de porta mais seletiva — e quem chega com histórico de cobertura na mão entra primeiro.
